Por Bosco Ribeiro*
Entende-se como escola, um ambiente de formação e de relações pessoais efetivas, seja de forma positiva ou negativa, onde os conflitos estão presentes e devem ser tratados, também, como formas de aprendizado por todos os atores envolvidos na dinâmica educacional.
No ambiente escolar, o processo de formação do educando, comumente, dá–se envolvendo relações harmônicas e desarmônicas. Em relação à convivência desarmoniosa, essas, geralmente, estão associados à utilização de apelidos e ofensas àqueles que, principalmente, apresentam alguma característica que fuja ao padrão (gordo, baixo, usa óculos, usa aparelho ortodôntico). Esses conflitos restringiam-se, basicamente, ao ambiente escolar e eram resolvidos, na maioria das vezes, pela equipe pedagógica por meio de orientação e intervenções que levavam a reflexão do que estava acontecendo.
Com o advento e a popularização das tecnologias da informação e comunicação e a grande utilização dos aparelhos tecnológicos entre os jovens, o xingamento virtual ganha uma nova escala de importância, incomodando os profissionais que compõem a comunidade escolar e constrangendo permanentemente as vítimas dessas ações. Chamam-se tais provocações de cyberbullying (atormentar ou intimidar com a utilização de meios virtuais).
As intimidações e ofensas acontecem de diversas formas, desde o envio de mensagem pelo celular (SMS) e computador (MSN) à utilização de comunidades virtuais, tão comuns entre os jovens (Orkut, Twitter, Facebook) e até através da publicação de fotos comprometedoras. Esses mecanismos virtuais proporcionam sensação de conforto e de segurança para os agressores, já que, muitas vezes, fica difícil a identificação do autor, além de aumentar o poder de ampliação da plateia. Para a vítima da agressão, fica a sensação de fragilidade e de impotência na resolução do problema, como também, em muitos casos, pode causar ansiedade, transtorno do pânico, depressão e fobia escolar.
A prevenção é o melhor meio de minimizar essa forma de violência virtual, e, para isso, o trabalho conjunto entre família e escola é fundamental. Os pais não podem tratar o uso das ferramentas de comunicação como algo banal para os filhos, devendo estabelecer, no âmbito familiar, discussões e orientar sobre o uso responsável dessas ferramentas alertando sobre o perigo e as consequências da exposição maldosas de outras pessoas. Para a escola, é fundamental promover um fórum participativo sobre o tema com toda a comunidade escolar, incentivar os relacionamentos saudáveis, trabalhar com exemplos, estruturar limites e desenvolver bons hábitos na utilização das tecnologias.
* João Bosco Ribeiro Junior é professor e gestor educacional
E-mail: boscoribeiro@gmail.com