No Ceará, o caminho para a reeleição de Cid Gomes (PSB) parece o mais certo. Partidos de oposição e até aliados, chegaram a levantar a bandeira de candidatura própria contra o atual governo. Mas a tentativa de muitos ficou só no discurso.
O prefeito de Maracanaú, Roberto Pessoa (PR), saiu na frente e declarou publicamente, em diversas oportunidades, que iria renunciar o cargo de prefeito para concorrer a sucessão de Cid. Na pesquisa de intenção de voto no Ceará, divulgada pelo Datafolha, Roberto Pessoa apareceu em segundo lugar, com 14% da preferência do eleitorado. Mas, o tempo passou, prazo acabou, Pessoa não consegiu apoio e segue no cargo.
O presidente do PR no Ceará, ex-governador Lúcio Alcântara, já manifestou sua insatisfação sobre o cenário político eleitoral sem adversários de peso para contrapor o governo Cid Gomes. Lúcio, no entanto, não quis concorrer. A ausência de candidatos e a não apresentação de opções para o eleitor, por parte dos partidos políticos, prejudica a democracia.
A oposição, até o momento, vem apenas do Psol. O partido lançou a pré-candidatura da engenheira de pesca Soraya Tupinambá (foto ao lado). Uma militante ainda desconhecida de grande parte do eleitorado. Nomes de maior destaque da sigla como vereador João Alfredo e o advogado Renato Roseno seriam “candidatos naturais” para o confronto com o atual governo.
Mas o Psol optou por uma outra estratégia: lançar Soraya ao governo do Ceará e Renato Roseno para deputado federal para tentar garantir os votos necessários à eleição de João Alfredo como deputado estadual, ou vice-versa.
Na base de apoio de Cid Gomes a discussão gira em torno da inclusão do PSDB na aliança para a reeleição do atual governador. O PT não aceita a ideia. A prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins (PT), que é presidente estadual da sigla aqui no Ceará, já declarou que “não há a menor hipótese de uma aliança do PT com o PSB, tendo o PSDB como parceiro em 2010″.
Mas a movimentação dos últimos dois meses mostra que as negociações entre PSB e PSDB vem avançando. O governador Cid Gomes e o senador Tasso Jereissati trocaram elogios em um evento em Sobral, realizado no dia 6 de março. As declarações de “admiração mútua” foram registradas e publicadas na edição de sábado (7 de março) do Jornal O Povo, em matéria assinada pelo jornalista Ítalo Coriolano. Destaco um trecho da matéria citada:
“Sempre ao lado de Cid Gomes – que dirigiu o automóvel que levou os dois do aeroporto até o campus da UFC -, Tasso não poupou elogios ao atual dirigente do Executivo estadual. “O Governo está, principalmente no último ano, indo em direção a obras muito importantes. Aqui em Sobral estamos vendo isso agora. O governador Cid é bem intencionado, capacitado para a vida pública…”. “Merece ser reeleito?”, questionou O POVO. “Eu acho que sim”, respondeu o senador.
Cid, por sua vez, afirmou que Tasso é uma inspiração para a sua atuação como gestor público e que ambos podem estar juntos nas próximas eleições. “O senador Tasso Jereissati fez um grande trabalho no Estado do Ceará, ele significa um marco na história administrativa do Estado, e claro que ele é uma inspiração para muitas pessoas”, disse Cid Gomes.
Ele não fala
O governador Cid Gomes tem encontro marcado, na segunda-feira (05), com a prefeita o Luizianne Lins, mas o assunto é outro: a construção do estaleiro na praia do Titanzinho. Cid Gomes, que também é presidente estadual do PSB, certamente será questionado pela imprensa sobre as articulações em torno da aliança eleitoral. Via de regra, o governador evita comentar o assunto, mas não custa tentar.
Faltam “alguns arranjos”
Já o senador Tasso Jereissati, que vai disputar a reeleição ao senado, disse ao site Terra Magazine que “alguns arranjos estão sendo feitos” para fechar a aliança com o governador Cid Gomes.
Articulação que, segundo o tucano, não atrapalharia o palanque de José Serra (PSDB) no Ceará. ”Sou candidato a senador e o palanque do Serra sou eu. No Ceará, eu sou o palanque do Serra. Está tudo certo.”,disse.
Artigos Relacionados:



Fale com o autor