O presidente Lula afirmou, no Fórum Mundial Social (em Porto Alegre – RS), que o Fórum Economico de Davos (na Suíça) perdeu o “glamour” após a crise financeira internacional. É justamente nesse ambiente meio sem prestígio que o pessoal de Davos resolveu premiar o nosso presidente com o prêmio Estadista Global.
De qualquer forma, o prêmio é um reconhecimento à política econômica que o Brasil já adota há pelo menos 15 anos. A crise, portanto, serviu para ressaltar a correção do rigor fiscal e monetário que em marcado a nossa economia. Além disso, o nosso sistema financeiro já havia sido saneado pelo PROER e os bancos nacionais são avessos a correr riscos na hora de emprestar, estimulados, sobretudo, pelo juros que o governo paga.
Mas isso não significa que tudo é um mar de rosas e nada há para ser resolvido. É preciso ter cuidado com uma certa euforia, amplificada pela comunicação governamental, quando o assunto é economia. Vejam as seguintes manchetes (clique no título para ler a matéria original):
Estadão: Despesas do governo central cresceram 15% em 2009
G1: Gastos do governo em 2009 têm alta de R$ 74,5 bilhões
Correio Brasziliense: Dinheiro público: Dívida interna dispara no governo Lula
O problema dessas notícias não está propriamente na alta das despesas correntes do governo ou da dívida interna crescente. Em períodos de crise, essa situação é clássica: governos gastam mais para reanimar a economia. Acontece que é preciso ter critérios estratégicos para isso. Nesse ponto, um debate seria bastante útil este ano.
O ideal é que esses gastos contemplem ações em áreas indutoras de emprego e investimentos de longo prazo, como infra-estrutura, por exemplo, que podem servir debase de apoio para uma retomada de crescimento. Mas o que vemos são os gastos ditos sociais, que embora importantes, não geram criação de nova riqueza, mas apenas intensificam a circulação do que já existe. Sem contar as despesas com contratação de pessoal, especialmente os terceirizados e os cargos comissionados.
Resumindo: o governo gasta mal, obtendo retornos apenas de curto prazo. Mais adiante, a conta terá que ser fechada pelo próximo presidente. Como disse o Correio Braziliense: “Lula repetirá a maldição do antecessor. Entregará, muito provavelmente a José Serra (PSDB) ou a Dilma Rousseff (PT), os dois candidatos à sucessão presidencial mais bem posicionados nas pesquisas de intenção de votos, um débito quase duas vezes maior do que o que recebeu”.