Desde o ano passado, o presidente Lula vem defendendo, com unhas e dentes, a tese de que a eleição presidencial deve ser plebiscitária, ou seja, os eleitores devem ir as urnas para responder “sim ou não”, escolher entre o “bem e o mal”. Para Lula, o “mal” está encarnado na figura do governador de São Paulo, José Serra (PSDB) e o “bem” supremo e absoluto representado pela ministra Dilma Roussef.
Contrariando todos os indicativos demonstrados nas pesquisas de intenção de votos realizadas até aqui, Lula quer garantir a eleição de Dilma Roussef limitando o processo eleitoral à disputa entre PT e PSDB eliminando, inclusive, nomes como o do “companheiro” e deputado federal Ciro Gomes (PSB/CE).
Mas a tese de eleição plebiscitária interessa a quem?
O ex-prefeito do Rio, César Maia, avalia que a polarização da disputa à presidência da República entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT) vai acabar privilegiando o tucano. Ele faz uma análise interessante onde afirma que a candidatura de Marina Silva (PV) não vai decolar e Ciro Gomes deve mesmo seguir para o Governo de São Paulo. Este cenário poderia, ao contrário do que acredita o presidente Lula, facilitar a decisão em primeiro turno e com vitória de Serra.
Abaixo divido alguns trechos com vocês. Depois volto a comentar.
1.A dinâmica do processo pré-eleitoral até este início de 2010 mostra que a campanha presidencial sofreu mudanças importantes. O lançamento a fórceps de Dilma por Lula e o estressamento em suas aparições acompanhadas deste, mostraram que seu potencial é menor do que se imaginava. Sua imagem -burocrata- e a de Lula -paizão- são opostas. O fato de Dilma ter nos setores de renda menor a mesma média que tem em geral, pode ser também por dificuldade de introjeção”.
2. Ciro, nas últimas pesquisas de 2009, mostrou menos potencial do que se imaginava, e mesmo no nordeste passou a ter sua média igual a geral, apesar de disparar no Ceará. Sem o Ceará, curiosamente, teria no nordeste menos do que nas demais regiões. Hoje, se poderia dizer que se ele ficar, vai ser só para atrapalhar Dilma. Havendo consciência disso, ele deixará de ser candidato”.
3. Marina teve sete meses para sair da Amazônia e entrar nos demais Estados. Copenhague mostrou isso: seu destaque estava entre os de outros países preocupados com a Amazônia. O programa do PV não acrescentou uma vírgula à sua intenção de voto. Ela passou a ser um número baixo que levará ou não a eleição para o segundo turno, dependendo da diferença de Serra e Dilma”.
4.Num quadro como esse, a eleição plebiscitária tende a passar a interessar especialmente a Serra. As razões parecem claras. Se a introjeção da imagem de Dilma não será simples, quanto menor o tempo de exposição, pior para ela. Sem experiência eleitoral, com imagem fotograficamente mutante, com uma TV dia sim, dia não, e cheia de ruídos de governadores, senadores, deputados federais e estaduais, maior a dificuldade para fazer entender que ela é “irmã” de Lula”.
Com essas preliminares, a tese da eleição plebiscitária, que pesava a favor de Dilma, agora pesa a favor de Serra. Nesse sentido, quanto menor o peso de Marina, maior a probabilidade da eleição se decidir no primeiro turno, e sendo assim, hoje, maior a probabilidade de vitória de Serra. Um quadro curioso, pois é o inverso do que se pensava seis meses atrás”.
Fonte: ex-blog de César Maia